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Óculos usados por goleiros da Suíça possuem recursos terapêuticos; entenda as vantagens Deixe um comentário

Óculos usados por goleiros da Suíça possuem recursos terapêuticos; entenda as vantagens

Tecnologia incluída em treinamento do time ajuda a melhorar os reflexos e amplia a chamada visão de jogo

Imagem: shutterstock/Kitreel

O que acontece se juntarmos tecnologia e futebol? Os óculos usados em treinos pelos goleiros da Suíça podem dar uma resposta:  visão de jogo melhorada e reflexos rápidos estimulados. Conhecidos como óculos estroboscópicos, “eles são produzidos com lentes de cristal líquido, ou seja, a transparência oscila, eliminando as imagens por milésimos de segundos”, explica o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier de Campinas. 

Segundo o especialista, a agilidade no campo de futebol está ligada à visão periférica que nos faz acreditar que enxergamos mais do que o cérebro processa. Normalmente, nosso cérebro descarta 80% das informações visuais que recebemos porque enxergamos com nitidez através de uma pequena porção central da retina, a mácula, que tem em torno de 1,5 milímetro. Isso significa que só enxergamos com precisão o que está literalmente na frente dos nossos olhos. 

Como os óculos funcionam? 

“O princípio desta tecnologia, usada por várias empresas, é o mesmo da musculação, ou seja, forçar para fortalecer”, exemplifica Queiroz. “A intermitência das imagens nas lentes constrói novas conexões neurais entre o olho e cérebro que forçam o cérebro a processar com mais agilidade e detalhes as imagens periféricas, além de melhorar o equilíbrio, aumentar a rapidez dos movimentos inclusive dos olhos e o tempo de reação.” 

As jogadas de craques que muitas vezes nos surpreendem tem a ver com a capacidade de perceber tudo o que acontece ao redor, num piscar de olhos. No futebol, isso é conhecido como visão de jogo. Na Oftalmologia como visão periférica. As lentes estroboscópicas oferecem 180 graus de visão periférica e isso está diretamente relacionado à melhor performance dos atletas. 

O oftalmologista destaca que a visão é o mais dominante dos sentidos; responde por 85% de nossa interação com o meio ambiente e é decisiva nas competições esportivas. Outras habilidades visuais que fazem diferença em campo são a flexibilidade de foco, percepção de profundidade, acuidade dinâmica, boa mira, coordenação mão-pé e olho-pé.  

“Por isso, nos EUA e Europa, as equipes técnicas estão sempre em busca de novas tecnologias para treinar os olhos. Estes foram os casos do uso de diferentes aplicativos por vários países e até da prática de arco e flecha pela seleção da Alemanha quando jogou contra o Brasil. Por aqui a aposta sempre foi o talento, mas o incremento da tecnologia para treinar a visão pode agregar mais habilidades ao talento dos atletas”, pondera. 

Óculos estroboscópicos e suas outras funções 

Além da função de treinamento para atletas, as lentes estroboscópicas também podem ser usadas no tratamento de ambliopia ou “olho preguiçoso”, maior causa de cegueira monocular entre crianças. 

“A doença é decorrente do desenvolvimento assimétrico entre os olhos, que ocorre até os 8 anos. O tratamento é feito com a oclusão do olho de melhor visão para estimular o olho mais fraco”, especificou Queiroz.   

 

Imagem: shutterstock/Peakstock

As lentes estroboscópicas têm sido associadas ao oclusor porque podem reduzir o tempo de tratamento das crianças com ambliopia. Estudos também apontam estas lentes como terapia coadjuvante no tratamento de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção). Segundo pesquisas, ao forçar novas conexões neurais entre o olho e o cérebro, a capacidade de concentração, que é reduzida nos portadores do transtorno, melhora. 

Óculos estroboscópicos não substituem os de grau 

Vale pontuar que, de acordo com o especialista, os óculos estroboscópicos não substituem os óculos de grau, isso porque eles não têm a função de corrigir a refração. Embora o fabricante recomende para idosos, o oftalmologista ressalta que pode agravar a fotofobia naqueles que têm catarata ou astigmatismo. Em todas as faixas etárias também são contraindicados nos casos de epilepsia porque podem desencadear crises — já que o dispositivo “anima” imagens e luzes. “O ideal é que o uso seja indicado e supervisionado por um oftalmologista”, conclui.

Pela Copa do Mundo do Catar, o Brasil enfrentou a Suíça nesta segunda-feira (28) na primeira fase de grupo. A Seleção levou a melhor por 1 a 0 e, conforme saldo de gols, já está classificada para as oitavas de final.

Fonte: Olhar Digital

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