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Brasil no Top 10 dos países com crescimento do comércio eletrônico

De acordo com a Inside Intelligence, a nação brasileira, ao lado da Índia e da Indonésia, deve gerar um faturamento de quase US$ 230 bilhões em vendas de comércio eletrônico no varejo

Imagem de mohamed Hassan por Pixabay

De acordo com o relatório The Global Payments Report 2022, elaborado pela empresa de tecnologia financeira FIS, o comércio eletrônico global deve crescer mais de 55% até o ano de 2025 e faturar mais de US$ 8 trilhões ao longo das transações. O estudo, que leva em conta 41 países diferentes, também evidencia que o setor teve um salto de 13,4% no crescimento, se comparado ao ano passado e que o mercado brasileiro vem se destacando, já que as estimativas são de US$ 79 bilhões de faturamento nos próximos três anos.

Ainda nesse sentido, uma pesquisa apresentada pela Inside Intelligence mostra que a região do Sudeste Asiático é a mais rentável no âmbito do comércio eletrônico, considerando que Cingapura terá um impulso de 36% nas vendas digitais, ao passo que Indonésia e Filipinas registrarão um aumento de 34 e 25,9%, respectivamente.

Além disso, a análise também revela que Brasil, Índia e Indonésia tendem a gerar um faturamento de quase US$ 230 bilhões em vendas de comércio eletrônico no varejo, quase o dobro do valor registrado pelo TOP 10, composto por países como Argentina, Austrália, Malásia, Tailândia e México.

De acordo com uma das sócias fundadoras da Iamaní Chás Orgânicos, Mayara Boaretto, há uma série de fatores que contribuem para o crescimento exponencial das vendas online.

“A partir da geração X, as tecnologias envolvendo a internet tiveram um crescimento muito grande em um curto espaço de tempo, o que pode ser justificado pelos níveis de segurança das compras online e pelo uso da inteligência artificial como forma de captar comportamentos dos usuários e investir no marketing”, inicia a representante da Iamaní Chás Orgânicos.

Que continua: “hoje em dia você comenta sobre um produto com uma amiga e logo depois recebe a propaganda dele já indicando e comparando preços! Tem os sites comparadores de preços que, com dois cliques, colocam lado a lado produtos de diferentes fornecedores e preços variados. E por fim, acredito que a praticidade também seja um fator importante nesse boom de vendas, já que não é mais necessário sair de casa e pegar filas para fazer compras”, pontua Mayara Boaretto.

Acessibilidade da internet e omnicanalidade auxiliam no crescimento do comércio eletrônico

Mayara Boaretto explica que é interessante analisar o comportamento dos consumidores brasileiros antes e depois da pandemia para compreender de forma mais aprofundada o volume de bens adquiridos em diferentes categorias por meio das vendas eletrônicas: “a pandemia foi brutal no Brasil e, com isso, tivemos a impossibilidade de comprar produtos em lojas físicas, acarretando um aumento de 68% nas vendas do e-commerce, conforme revela um estudo divulgado pela NielsenIQ|Ebit em parceria com a Bexy Pay.

Esse processo mudou a forma dos brasileiros consumirem, e mesmo depois, com a reabertura das lojas físicas, o volume de vendas online permaneceu”, explica a sócio-fundadora da Iamaní Chás Orgânicos.

Alimentos, casa e saúde estão entre as principais categorias de venda do e-commerce

“A expectativa é que em 2022 vejamos um aumento em 132% em comparação com o período antes da pandemia. Assim, temos que as 5 categorias que mais expressam esse aumento, segundo a NielsenIQ|Ebit, são: alimentos e Bebidas (107%); Bebê & Cia (34%);Construção e Ferramentas (31%); Informática (24%) e Saúde (23%)”, afirma Mayara Boaretto.

Conforme explica Ligia Aquino, também sócio-fundadora da Iamaní, este aumento exponencial de vendas no comércio eletrônico afetou de forma positiva e negativa os varejistas, já que ao passo em que muitos deles mantiveram as portas abertas exatamente por conta do comércio eletrônico, outros que não investiram no e-commerce tiveram muitos prejuízos a curto e médio prazo.

“Segundo uma pesquisa do IBGE, o avanço do comércio eletrônico, junto com o auxílio emergencial, foi o que garantiu que o varejo brasileiro fechasse 2020 no azul, ainda com uma pequena alta de 1,2%, em um ano em que a economia teve uma retração por conta da crise na saúde pública. Por outro lado, os varejistas que não tinham e-commerce sofreram muito e alguns deles até fecharam e não conseguiram reabrir após a fase mais crítica da pandemia”, evidencia Ligia Aquino.

Segundo ela, de acordo com uma sondagem da FGV, 49% das empresas no Brasil não faziam nenhuma venda online antes da pandemia, cenário que mudou bastante. “Hoje, 80% dos varejistas consultados recorrem a esses canais em diferentes níveis, a depender do porte de cada marca: existe uma diferença entre as empresas de grande porte, onde 90% das companhias estão no canal online, e as empresas de menor porte, que continuam mais resistentes e tem quase 30% do número de varejistas focados só nas lojas físicas”, afirma.

Mão de obra qualificada, segurança e logística surgem como desafios do setor virtual

Por fim, com relação aos desafios a serem enfrentados pelos varejistas no setor do comércio eletrônico, Erick Herrera comenta que a falta de mão de obra qualificada é, sem dúvidas, uma questão a ser vencida no Brasil: “hoje os profissionais de e-commerce precisam ter um conhecimento multidisciplinar em diversos campos, como site, SAC, atendimento ao cliente, logística em geral e marketing digital. Por ser um mercado relativamente novo, tais habilidades tendem a ser difíceis de serem encontradas”, reflete o profissional da Maeztra.

Ligia Aquino, por sua vez, afirma que há ainda as questões relacionadas à logística, ao atendimento, à segurança de dados e, claro, à experiência do cliente. “A logística, por exemplo, é um grande fator a ser trabalhado pelas marcas brasileiras, já que muitos operadores logísticos não perceberam ainda a diferença das remessas originárias do e-commerce, tratando como se fossem uma carga qualquer. A logística engloba muitos processos, o picking e packing (a retirada da mercadoria do depósito e a embalagem para a expedição), a forma de entrega e a pontualidade: tudo isso junto pode resultar no sucesso ou fracasso da operação”, diz.

Sobre atendimento ao cliente, a sócia da Iamaní afirma ter percebido a importância de contar com uma equipe preparada, com respostas rápidas e objetivas. A segurança de dados segue sendo um desafio, uma vez que a taxa de tentativas de fraude em lojas virtuais teve um aumento significativo no início da pandemia. “Segundo um estudo feito pela Konduto, a cada 100 compras feitas no Brasil, quatro tiveram origem fraudulenta”, revela Ligia Aquino.

Por último, mas não menos importante, a empresária lembra que a experiência de compra no canal virtual também deve ser ajustada ao longo do tempo: “ vejo a importância de deixarmos todas as informações claras e disponíveis para tornar o processo de compra o mais fácil possível. Pensando sempre que o cliente precisa encontrar o produto e efetivar a compra em poucos minutos, devemos investir em um site responsivo e com boa velocidade de carregamento, considerando que em torno de 53% dos visitantes abandonam sites que demoram mais de 3 segundos para carregar”, finaliza.

 

Fonte: Consumidor Moderno

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